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terça-feira, novembro 30, 2004

Castro do Vale Feitoso


Rota do Vale Feitoso Posted by Hello

Castro do Vale Feitoso
(ou da Quinta da Samaria)
(Peroviseu)


História
Castro identificado por Pedro Carvalho(Universidade de Coimbra) em 2002. Apresenta, pelo menos, dois níveis muralhas. O povoado foi alvo de uma mutilação recente, com a passagem de máquinas para abertura de caminhos. Por todo o povoado são visíveis vários alinhamentos de pedra, alguns deles correspondentes a construções. A cerâmica disseminada em grande cópia cerâmica de fabrico manual, sobretudo a «cepilhada» e brunida. Engenhos de moagem também aí se encontram com frequência. Muitas lendas se ligam a este castro: os populares falam da descoberta de potes com moedas de ouro...
Digna de registo é a curiosa «Laje das cruzes», um rochedo que assinala os limites dos Concelhos do Fundão e Covilhã e que apresenta para cima de uma trintena de inscrições cruciformes. Todavia, uma inscrição rupestre romana constitui o elemento histórico mais interessante do povoado.


Como chegar

Uma vez na freguesia de Peroviseu (junto à Matriz) tomar a direcção da Serra na indicação da sinalética. Já na cumeada cortar na primeira encruzilhada pelo caminho da esquerda. Medeiam cerca de 2 Km até ao povoado.


O Percurso

A Serra das Ferrarias ou do Ferro, exibe um raro panorama paisagístico, quer para a Cova da Beira, a Sul, quer para a Serra da Estrela, da banda oposta. Inúmeros aglomerados de penedias graníticas, algumas das quais verdadeiramente colossais, constituem uma apreciável característica orográfica desta serra.

segunda-feira, novembro 29, 2004

Castro da Senhora da Penha


Rota Senhora da Penha Posted by Hello

Castro da Senhora da Penha
(Alcongosta/Alpedrinha/Souto da Casa)


História
Referido como tal por Martins Sarmento na sua «Expedição Científica à Serra da Estrela», em 1881, foi aí encontrada recentemente uma raspadeira do Neo-Calcolítico (?). Cerâmica atribuível à Idade do Bronze também foi detectada no planalto do povoado. Possui um abrigo, oportunamente cristianizado e transformado em capela. Aliás, o espaço castrejo comportou mais um templo cristão e casa do ermitão, constituindo mesmo um dos mais frequentados santuários de toda a região durante os séculos XVII, XVIII e XIX.
Ainda é possível reconhecer alguns alinhamentos de pedra que talvez possam corresponder ao sistema defensivo do castro.


Como chegar
Subir à Freguesia de Alcongosta e continuar até ao Posto de Vigia da Serra da Gardunha. Uma vez aí, seguir a sinalética e enveredar pelo caminho de terra que se dispõe pela encosta Sul da Gardunha, sobranceira a Castelo Novo.


O Percurso
Subir até à Senhora da Serra (ou da Penha) é tomar o pulso à própria Gardunha já que o percurso cruza as abas norte e sul. Uma vez na cumeada, trocamos a Cova da Beira pela peneplanície da banda oposta, onde pontificam Castelo Novo, Alpedrinha... A zona da Penha é um dos mais aprazíveis recantos da Gardunha.

Castro de S. Roque


Rota S. Roque Posted by Hello

Castro de S. Roque
(Donas/Alcongosta)


História
Povoado descoberto por Alves Monteiro em 1953, investigador que recolheu bastos fragmentos cerâmicos correspondentes a taças e potes de armazenagem do Bronze Final. Apresenta, à superfície, uma grande concentração de material cerâmico. Todavia, o achado mais precioso deste arqueossítio é ponta de seta em bronze, encontrada e ofertada recentemente por um popular ao Museu Arqueológico do Fundão.

Como chegar
Pela estrada nacional nº 18 na direcção de Alpedrinha. A cerca de 1,5 Km do Hotel Príncipe da Beira (antigo Seminário Menor do Fundão), cortar à direita segundo a indicação da sinalética.

O Percurso
Monte de localização primorosa, faz ainda hoje de atalaia da Gardunha para as bandas setentrionais. A tela de fundo continua a ser a Cova da Beira que se revela em todo o seu esplendor. A vista domina o vale do Zêzere e alcança a massa cínzea da Serra da Estrela.

Castro da Cabeça Gorda


Rota Cabeça Gorda Posted by Hello

Castro da Cabeça Gorda
(Alcaria/Peroviseu)


História
Referido por Martins Sarmento na sua «Expedição Científica à Serra da Estrela» (1881) foi no entanto estudado recentemente por Raquel Vilaça. Espaço que compreende aglomerados graníticos de grandes dimensões, são visíveis alguns troços de muralhas e alinhamentos de pedra correspondestes, talvez, a antigas construções. Mós manuais e cerâmica inserem este castro no Bronze Final/Ferro Inicial.

Como chegar
Tomando a direcção da Freguesia de Peroviseu, cortar junto ao acesso à Central de Compostagem (Quinta das Areias). Seguindo a sinalética, tome-se o caminho que circunda esta unidade de tratamento de resíduos sólidos urbanos até se atingir o ponto indicado in situ.

O Percurso
Assim que se começa a subir em direcção ao Castro, temos, junto à estrada a importante estação romana da Quinta da Boutocela, com vestígios ainda da Alta Idade Média, concretamente duas sepulturas escavadas na rocha.
Como aliás era habitual, o castro ocupa uma posição privilegiadíssima, dominando, pelo Norte, a Cova da Beira.

Castro dos Três Povos


Rota Cabeço do Escarigo Posted by Hello

Castro dos Três Povos
(Cabeço do Escarigo)


História
Povoado referido já por Martins Sarmento, ocupa uma excelente posição estratégica que permitia dominar as férteis terras que marginam a Ribeira da Meimoa e bem assim alcançar a Gardunha e a Serra de Marta. Apresenta resquícios de muralhas e, dispersa, alguma cerâmica atribuível ao Bronze Final. O castro foi romanizado encontrado-se no Museu Arqueológico José Monteiro artefactos provenientes desta estação.

Como chegar
Na freguesia de Escarigo seguir a indicação da sinalética. O acesso ao castro é particularmente difícil.

O Percurso
As povoações de Salgueiro, Quintãs e Escarigo, cujo conjunto assumiu secularmente o designativo colectivo de Três Povos. Encetar o percurso que leva até à ultima dessas localidades pressupões uma visita a cada uma dessas pitorescas localidades, ricas de cultura popular e edificações históricas.

Castro de S. Brás


Rota S. Brás Posted by Hello

Castro de S. Brás
(Fundão)


História
Castro identificado em 2003. Teve ocupação, pelo menos, a partir do Bronze Final, como o atesta a cerâmica ali encontrada. Apresenta um considerável derrube de uma das linhas de muralhas e numa rocha alcantilada voltada a SO, uma considerável concentração de «fossetes» (cuja cronologia pode remontar ao Calcolítico, o que faria recuar no tempo a ocupação do monte).
Na parte mais elevada do monte, achava-se edificada a medieval Capela de S. Brás, mandada demolir em finais do século XVII pelo bispado da Guarda.

Como chegar
Seguindo do Fundão em direcção à Freguesia do Souto da Casa, cortar junto à escola primária local no sentido de Alcongosta. Seguir, depois, a respectiva sinalética. (Consulte-se o mapa anexo).


O Percurso
O asfalto que se serpenteia pelas encostas da Gardunha abre amplas varandas sobre a lindíssima Cova da Beira. No mês de Abril, a floração das cerejeiras concorre em brancor com a neve que, ao fundo, brilha nos cumes da Serra da Estrela. Se o passeio se faz nos meses de Maio ou Junho é o ouro rubro da cereja que pintalga a paisagem...

Castro da Covilhã Velha


Rota Covilhã Velha Posted by Hello


Castro da Covilhã Velha
(Enxames/Vale de Prazeres)


História
O castro da Covilhã Velha possui grandes derrubes de muralhas que atestam a complexidade da sua estrutura defensiva. Os testemunhos escritos mais antigos sobre este povoado remontam a 1866, ano em que José Germano da Cunha se referiu a um edifício acastelado derruído. O mesmo autor, anos volvidos (1892), fala da existência aí de «fossos» e «vestígios de ruas».
Os artefactos recolhidos neste castro, datável do Bronze Final /Idade do Ferro, não sendo abundantes são no entanto significativos. Crespo de Carvalho aventa a hipótese (muitíssimo remota, diga-se) de se ter localizado aqui a da cidade lusitana de Cingínia (referida por Valério Máximo). Um soberbo capitel de coluna prova a romanização desta estação, que conheceu aliás uma ocupação humana até ao período medievo.


Como chegar
Rumando à freguesia de Enxames, tome-se o sentido de Póvoa Palhaça. Sensivelmente a meio caminho, inflicta-se segundo a indicação das placas. Alternativa: Pela Freguesia de Vale de Prazeres em direcção a Póvoa Palhaça. Virar à esquerda na rotunda que antecede essa localidade. (Consulte-se o mapa anexo)


O Percurso
A Serra das Casinhas, ou Cruzinhas, onde se acha implantado o castro é um magnífico mirante para a pequena planície onde demora a Torre dos Namorados, terra de lendas e encanto, que guarda uma das mais ricas estações romanas da região.

Castro da Tapada das Argolas


Rota Tapada das Argolas Posted by Hello


Castro da Tapada das Argolas
(Capinha)



História

Referido nas fontes escritas desde 1758 - «antiga fortificação» - o Castro da Tapada das Argolas é a estação castreja de onde tem provindo maior número materiais arqueológicos, desde machados de bronze a pontas de seta. As estruturas defensivas do povoado coexistem com outros alinhamentos de pedra. Não há muito tempo, ainda eram visíveis restos de edifícios de planta circular.
Dos artefactos aparecidos neste povoado – para além dos machados de bronze - é de destacar uma ponta de seta de «tipo palmela», uma faca para couro («tranchet»), uma lâmina de espada em bronze e uma espada em ferro.
A cronologia da Tapada das Argolas aponta para os finais do II Milénio a. C. / inícios do I Milénio a. C, embora a ocupação humana do sítio possa remontar a finais do III Milénio a. C.

Como chegar
À entrada da Capinha cortar em direcção à barragem. Seguir as indicações da sinalética.

O Percurso
De acesso algo difícil, já a meia encosta do monte se vislumbra um agradável cenário natural, que se torna particularmente belo no topo do povoado, com a Barragem da Capinha ao fundo, com o seu parque de merendas.

Castro da Argemela


Rota Castro da Argemela Posted by Hello


Castro de Argemela
(Lavacolhos)


História
A área correspondente ao castro conheceu uma ocupação ainda no período Calcolítico, como o parece indiciar uma lâmina de silex encontrada no sopé do Monte de Argemela. Este núcleo apresenta três linhas de muralhas rudimentares feitas de pedra não talhada. Deste arqueossítio – um dos mais conhecidos da Beira Interior – foram exumados diversos materiais líticos, cerâmicos e metálicos atribuídos ao Bronze Final. Moldes de agulhas, uma agulha de bronze e diversos engenhos de moagem, perfazem o espólio recolhido desde os anos 60. O castro foi romanizado, como o atestam inúmeros artefactos. O estudo deste povoado está de presente a cargo de Raquel Vilaça (Universidade de Coimbra).


Como chegar
Tome-se a estrada municipal em direcção à Freguesia de Telhado. Sem entrar na povoação, continue-se essa via e, 2 Km adiante, virar à esquerda segundo indicação da sinalética. Seguindo o caminho de terra batida, pela cumeada da Serra do Gomes, medeiam cerca de 5 Km até ao núcleo castrejo. (Consulte-se o mapa anexo).


O Percurso
O caminho que conduz ao castro, que se dispõe pela Serra do Gomes, a Cova da Beira fornece uma paisagem deslumbrante, semeada de casario que se entremeia com as terras de cultivo e o arvoredo variado numa aguarela fresca e transluzente. Da banda do Poente, é a massa volumétrica dos montes quem desenha um cenário de encanto.

Rota dos Castros: viagem ao Fundão antes da chegada dos Romanos


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«Os Lusitanos tinham os seus castros, não no interior da Serra da Estrela, mas na sua vertente oriental, voltada à Cova da Beira»; «ter-se-iam estabelecido na região montanhosa da Beira Interior no Bronze Final».

JORGE DE ALARCÃO
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O Concelho do Fundão dispõe, desde o passado mês de Setembro, de uma inovadora oferta turística: trata-se de um roteiro histórico, único no país, denominado Rota dos Castros. A iniciativa é da Câmara Municipal e da Fundão Turismo - Empresa Municipal, e foi apresentada publicamente no âmbito das Jornadas Europeias do Património 2004.
A título simbólico, o Vice-Presidente da Autarquia, Dr. Carlos S. Martinho, descerrou na cidade uma das placas identificativas da Rota dos Castros, inaugurando assim, oficialmente, este programa de dinamização turística.
Já a apresentação do roteiro decorreu no Castro de S. Brás, onde Amílcar Guerra, docente da Universidade de Lisboa, fez um retrato da cultura castreja, particularmente aquela que foi materializada no Concelho no Fundão, particularmente rico em castros. O referido historiador classificou a Rota dos Castros como “uma incitativa pioneira, sobretudo com esta dimensão”, e esclareceu ainda: ”não se trata de valorizar apenas um único sítio, mas de valorizar um conjunto de locais de uma área relativamente ampla e que têm muita importância do ponto de vista histórico-cultural”. O momento contou com a presença de cerca de cem pessoas e de várias organizações ligadas à Serra da Gardunha: Caminheiros da Gardunha, ADESGAR e Serra-Aventura.
A Rota dos Castros é um percurso que vai à procura dos vestígios dos povos pré-romanos que habitavam a Península Ibérica, indo ao encontro das raízes ancestrais do território hoje português das Idades do Bronze e Ferro (1º Milénio a. C. – Séc. I). Com esta iniciativa, a Câmara Municipal do Fundão e a Fundão Turismo - Empresa Municipal pretendem valorizar e divulgar o rico património histórico concelhio, que não tem conhecido a notoriedade que merece. Além do mais, a Rota dos Castros prende-se com a possibilidade de reencontro com os povos que os portugueses identificam com a nossa etno-génese: os (ainda tão pouco conhecidos) Lusitanos. Com efeito, segundo os mais recentes estudos de Jorge de Alarcão - um dos maiores especialistas mundiais do período romano – «os Lusitanos tinham os seus castros, não no interior da Serra da Estrela, mas na sua vertente oriental, voltada à Cova da Beira»; «ter-se-iam estabelecido na região montanhosa da Beira Interior no Bronze Final».
Assim, este roteiro – que compreende um folheto-guia com informação histórica, turística e das acessibilidades - é um autêntico recuo no tempo. Com sinalética a identificar cada um dos castros, o visitante tem a possibilidade de conquistar as alturas, como há milénios o fizeram os povos que habitavam o cimo dos montes (Castro é, exactamente, um aglomerado habitacional erigido nas grandes elevações montanhosas) guerreando empedernidamente os Romanos invasores.
O Castro da Cabeça Gorda, situado entre Alcaria e Peroviseu, o Castro do Vale Feitoso, em Peroviseu, o Castro da Tapada das Argolas, na Capinha, castro dos Três Povos, no Escarigo, o da Covilhã Velha, entre os Enxames e as Quintas da Torre, o de S. Roque entre Donas e Alcongosta, o da Sr.ª da Penha, entre Alcongosta, Alpedrinha, Souto da Casa, o Castro de S. Brás, no Fundão e o da Argemela, em Lavacolhos, constituem a rede de sítios a visitar.A Rota dos Castros foi concebida para a visita-livre aos sítios arqueológicos mas, no caso de se pretender fazê-lo mediante visita-guiada, devem contactar a Câmara Municipal do Fundão, a Fundão Turismo - Empresa Municipal ou a Serra-Aventura.

sábado, novembro 27, 2004

A cultura castreja (1º Milénio a.C. - Séc. I d.C.)


Castro Lusitano Posted by Hello
Segundo Carlos Alberto Santos


Sob ponto de vista arqueológico, um castro (que assume também os designativos populares de citânia, crasto, castelo dos mouros, couto dos mouros, cerca, cividade, castelejo, castelar ou castelo), corresponde a vestígios de povoação fortificadas, possuindo uma ou várias linhas de muralhas, que se localizavam quase sempre no topo de um monte.
Os castros eram pois centros habitacionais e de defesa de origem pré-romana, situados nesses pontos altos e estratégicos de domínio e controle da planície. A estrutura defensiva do povoado, aliada já de si à difícil acessibilidade natural, dificultava as investidas do inimigo, mormente dos Romanos.
Na cultura castreja, as casas possuíam planta circular, com cerca de 5 metros de diâmetro. As suas paredes eram formadas por pedras sem argamassa. Possuía piso de saibro batido; lareira; ao centro, um orifício onde se fincava um poste que suportava a estrutura da cobertura, de colmo, de formato cónico. Na parte da frente um átrio, algumas vezes com um forno ou forja.
Na grande maioria dos casos os castros acabaram por ser romanizados, sendo ainda hoje evidentes os testemunhos da presença da cultura romana que coexistiu com a indígena. Muitos destes povoados continuaram a ser habitados pelos séculos fora, alguns deles até à Idade Média.
O Concelho do Fundão possui um precioso agregado de núcleos castrejos. Para este roteiro optou-se por se seleccionar nove deles dado que, mau grado se conheçam pelo menos mais dois, resultantes de descobertas recentes, encontram-se em fase inicial de estudo.